As origens do bolero, a dança romântica.

Encontrei um texto muito interessante sobre o Bolero, um ritmo de dança que todos nós, amantes da dança de salão, conhecemos muito bem e eu, particularmente, gosto bastante de dançar e também de ensinar nas aulas. Considero o Bolero um ritmo muito apropriado para facilitar a evolução do dançarino de salão.

O texto, trata das origens espanholas e centro americanas do bolero, cubana especialmente, bem como do estilo particular criado no Rio de Janeiro e ensinado hoje nas escolas de Dança de Salão no Brasil todo.

Texto extraído do blog:

http://nathaliart.wordpress.com/2009/12/04/a-danca-do-amor/

Bolero: A dança do AMOR!

Ahhh (suspiro profundo…mas não estou IN LOVE, ainda…rs)!

Confesso: o bolero me atrai muito, não somente pela dança envolvente, pelas músicas melódicas e que parecem intermináveis, mas tem algo muito interessante, só dançando para sentir!

Um pouco de história:

O Bolero é um ritmo que mescla raízes espanholas com influências locais de vários países hispano-americanos. Surgiu na Espanha, mas sofreu modificações, especialmente desenvolvendo temas mais românticos e ritmo mais lento. Tem tradição nos seguintes países: Cuba, Porto Rico, República Dominicana, Colômbia, México, Peru, Venezuela, Uruguai, Argentina e Brasil.

A origem do Bolero

Embora de origem espanhola de boleras (bolas) ou de volero (de volar – voar), a formação musical do Bolero, como se conhece hoje se desenvolveu principalmente em Cuba, mas também com grande vigor em Porto Rico, República Dominicana e México, seu principal difusor. A dança Bolero praticada atualmente no Brasil tem suas origens no Rio de Janeiro, sob grande influência do tango. Já em outros paises latinos, está mais próxima de uma rumba mais lenta, sem muitas variações de figuras, pois é tida como dança para romance.

Tem que se inicialmente dividir a historia do Bolero em três momentos: antes de ser “cubanizado” em meados do século XIX, pós-Cuba e a criação do estilo carioca de se dançar Bolero.

O primeiro registro da palavra Bolero que se tem conhecimento data do século X, de uma dança de origem árabe, o “Bolero de algodre”, que era dançado em grupos de três passos – um rapaz e duas moças. Embora não pareça o Bolero ter ai sua raiz, devido ao fato dos mouros terem ocupado a Espanha por muitos séculos, não é de se estranhar que o espanhol tenha absorvido esta palavra, que para muitos vêm das boleras (bolas) que ornamentavam os vestidos das ciganas. Enquanto para outros, vem de volero (de volar – voar), pois estas dançarinas pareciam estar voando ao fazerem seus rodopios e movimentos nos vestidos. De qualquer forma, estas versões nos dão uma certeza, que a origem está na Espanha, e não na França ou Inglaterra, onde andou com o nome de danza e contradanza, como sugerem alguns.

Até chegar a Cuba, Porto Rico, República Dominicana e México, o bolero espanhol vai se formando baseado na “canción de prosapia hispânica” e agregando elementos das “árias operísticas”, da “romanza francesa” e da canção napolitana. Até Ravel, compositor clássico, deu sua versão em o “Bolero de Ravel”.

Inicialmente era executado com acompanhamento de castanholas, violão e pandeiro, tal qual o fandango (dança espanhola de origem árabe), enquanto o casal dançava sem se tocar, com sensuais movimentos de aproximação e afastamento.

Trazido pelos espanhóis para suas colônias na América, ele foi se modificando pelas influências locais e recebendo contribuições, em especial, de ritmos vindos da áfrica, assim como da “contradanza francesa”. Analisando a Cuba do século XIX e de fins do XVIII, detecta-se a atuante presença inglesa desde que barcos tomaram La Habana em 1762. Logo depois, no final do século XVIII, franceses e seus servidores negros e mulatos chegaram a Cuba, fugidos dos rebeldes haitianos, trazendo para a burguesia e a aristocracia cubana, a contradanza e a novidade do casal dançar entrelaçado, que gerou grande rebuliço na burguesia e aristocracia cubana, fazendo com que os pais orientassem suas filhas a dançarem com os quadris afastados, somente a parte de cima teria contato, característica que hoje não se vê mais no bolero cubano, dançado com movimentos semelhantes aos da Rumba, porém, mais lentos e com poucas variações, mas que ainda permanece em muitos dançarinos de Son e Salsa.

Em 1780 o bailarino espanhol Sebastian Cerezo criou com muito sucesso uma variação baseada nas Seguidillas, bailados de ciganas andaluzes, cujas vestimentas eram ordenadas com pequenas bolas (as boleras), o que veio reforçar a versão da origem do nome Bolero…

Hoje o Bolero tem presença mundial devido principalmente à difusão pelo México, e tem contribuído com seu romantismo para a união de muitos casais já há muitas gerações.

Curiosamente, só no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, essa dança adquire uma estrutura mais complexa incorporando movimentos do Tango, como trocadilhos, esses, caminhadas, cruzados e giros, Nos demais estados, até o inicio da década de 90, restringia-se praticamente a base do “dois pra cá, dois pra lá” ou mesmo ao “um pra lá e dois pra cá” dos dançarinos mais antigos. Em São Paulo mesmo, como nos lembra o Professor Roberto Mendoza, o Bolero só se reformula para a forma como é dançada hoje, quando sua Academia, a Strapolos, contrata em 1994, os professores cariocas João Carlos Ramos e Elaine Delatorre para introduzirem em São Paulo, o Samba de Gafieira, o Bolero e o Soltinho, ainda inéditos no meio acadêmico da dança de salão paulistana.

No entanto, mesmo com toda essa trajetória de transformações sempre foi mantido seu caráter de dança de galanteio, suave, terna e romântica, com movimentos caracterizando uma eterna busca da conquista da mulher amada que por sua vez seduz o parceiro, num jogo que podem durar 3 minutos ou mesmo uma vida inteira.

Eu gosto das músicas do Luis Miguel, não são canções compridas, mas as letras mostram o pouco de bolero. Ótimas músicas para dançar em um jantarzinho a dois, com um belo vinho! Fica a dica! rs

Top 5 das melhores, na minha opinião:

1 – Te Extraño

2 – La Mentira

3 – La Barca

4 – La Puerta

5 – Contigo Aprendi

Ver outros textos sobre Dança de Salão.

3 Responses to As origens do bolero, a dança romântica.

  1. Dirceu gonçalves says:

    ADORO A DANÇAR O BOLERO;GOSTARIA TABEM DO TANGO

  2. Claudia Marques says:

    quando danço bolero sinto que o meu corpo e minha alma estão ligados numa eterna paixão!

    • celso carvalho lima says:

      Nao sou um grande dançarino de bolero, mas me meto a dançar e acho a dança bonita, logo mexe com o corpo todo e dar um repique na alma. Por isto, estamos implantando no Piaui, precisamente em Teresina, capital, Baile da Maturidade – Bolero mais, as quintas-feiras, por conta da criaçao do Clube da Maturidade, falta definir o local. Mas uma coisa tá certo: vamos com o primeiro baile, dia 24 de maio com Banda Cipriano e participaçao especial de Naiara Lima, a dama das serenatas, especialista em cantar bolero, tango e salsa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>