Meu método: “el MATE”

“o tango é muito difícil!”

“não consigo lembrar das  figuras”

” na hora da dança, não consigo lembrar das sequências e ligar umas com as outras”

“se penso na sequência de passos, não consigo me ligar com a música”

Já ouvi estas frases milhares de vezes.

Pensando nas dificuldades comuns dos alunos de tango e refletindo sobre as didáticas que tenho experimentado ou estudado, comecei a questionar o método tradicional de ensino do tango (que eu mesmo usei amplamente) e fui desenvolvendo um método próprio.

Como não achar difícil aprender uma dança – o tango – quando seu “passo básico”, a primeira figura ensinada, é uma sequência de 8 passos onde  a dama e o cavalheiro efetuam movimentos diferentes entre si, como o cruze da dama? (ver video abaixo com a explicação da figura base tradicional de 8 tempos).

Realmente, assim fica complicado começar a aprender para muitas pessoas que se aproximam do tango encantadas com seu charme, elegância e sensualidade, mas que com o tempo acabam desistindo por acharem as figuras e sequências difíceis de lembrar e executar.

Pior ainda: se você observar uma pista onde estejam dançando vários casais, quase seguramente não verá nenhum casal que realize este famoso passo básico ou figura de 8 tempos. Por que? Porque é uma sequência pensada e criada com fins “didáticos” mas que, na hora da dança, é muito difícil poder “sentir” a música através dela.

Além disso, concordo com a crítica de alguns importantes tangueros ao manifestar que a cadência musical do tango não combina com esta figura de 8 tempos, onde o passo número 5, por exemplo, é uma parada do homem com cruze da mulher, exatamente num tempo “forte” da música, que “pede” um passo de maior energia.

Outra característica comum do método tradicional é o uso de “figuras” ou “sequências” para ensinar, que reforçam e aumentam as mesmas dificuldades e críticas mencionadas anteriormente em relação à “base de 8 tempos”.

A partir destas e muitas outras reflexões, assim como da observação dos milongueros veteranos nos bailes tradicionais do tango (as milongas), cheguei à conclusão que era necessário criar uma nova forma para o ensino e o aprendizado do tango. Necessitava então mudar para outro método que fosse mais fácil de aprender, mais natural para dançar e que permitisse ao aluno improvisar desde seus primeiros conhecimentos.

O improviso é uma característica absolutamente imprescindível no tango, pela variação constante da sua música, da sua melodia, pela conexão única e singular de cada dançarino com cada música e com cada parceira/o.

Para o dançarino conseguir improvisar deve contar, não com um repertório de “figuras” ou “sequências” aprendidas, senão com um repertório de “ferramentas”, estruturas de movimentos possíveis, fácilmente ligáveis entre si e adaptáveis a dinâmicas diferentes segundo a música.

Além disso, o novo método deveria, ao mesmo tempo, respeitar e afirmar as raízes do tango, sua típica cadência, postura, abraço, incorporando também como complemento os novos elementos do tango mais contemporâneo (mal chamado de “tango novo”).

E assim surgiu este método próprio, que denomino MATE (Método de Aprendizado de Tango por Estruturas) e já está me mostrando, na prática, ser muito mais eficaz e eficiente, permitindo aos tangueros o improviso, o estilo personalizado e único de dançar, desde os primeiros momentos. Estou constatando com satisfação os alunos “sentindo” o tango de uma maneira mais profunda e pessoal e cada casal dançando diferente do outro ao lado, como deve ser. Isto tem sido uma motivação permanente para eu continuar desenvolvendo o MATE como meu método de ensino.

Carlos Peruzzo


A seguir, vídeo de uma aula sobre a “base de 8 tempos”, figura básica tradicional no ensino do tango:

Veja também:

3 Responses to Meu método: “el MATE”

  1. Valtair Vasconcelos says:

    Prezado Professor…

    Em muitos anos de estudos e praticas, estamos aqui no RS, adotando este método (permita citar o termo)…a partir de estudos com Professores de Buenos Aires, considerados da nova safra de maestros, que nos motivam a utilizar estas ferramentas para as ligações, sem a preocupação de passos contados…

    Mas acredite, não é fácil fazer os alunos entenderem que na dança de salão ( e não sómente no tango) a improvisação nasce da segurança e do conhecimento que os alunos adquirem com o passar do tempo, na sala de aula…

    É prazeiroso ver o rendimento e a notável sensibilidade que os alunos adquirem ao conhecer esta sistemática que envolve equilibrio, exercicios de transferencias de peso e noções de deslocamentos na sala de dança ou num baile de salão…

    Desejamos todo sucesso e muita dança na sua trajetória…

    abraçosssss

    Valtair Vasconcelos
    Escola de Danças de Salão

    Santa Maria RS

  2. Excelente método! Empezaré a practicarlo acompañada por uno de mis nietos. Un abrazo , desde Texas, U.S.A.

    María Julia de la Fuente – Schmidt

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